Feedback Letter for a Well Known Fish

O que hei de falar hoje a vocês, meus peixes?

Vamos falar sobre o amor…

“Amor”, segundo o consenso geral, é a predisposição de alguém a desejar o bem de outra. É também um sentimento de dedicação absoluta a outra – sem importar aqui o sexo, cor ou credo – ou uma determinada causa.

Imaginemos então, peixes, as causa de uma dedicação absoluta a outra. O que leva alguém a se dedicar a outra pessoa de forma incondicional? Pensemos também se é realmente possível se dedicar a alguém dessa forma, incluindo aí a amizade… eu acho.

Nos concentremos no amor às pessoas e não às causas. E ignoremos o amor romântico, que existe apenas nas imaginações das solteironas, e a amizade. Não confundam também, peixes, as suas vidas que não me interessam em nada, tão pouco influiram na criação desse comentário insone.
Então vamos às considerações:
O amor às pessoas surgem do que elas representam para nós. Do significado semiótico que elas adquirem dentro de um encanto cultivado. Tu amas alguém porque esse alguém te cativou de alguma forma: esse alguém cheira bem, fala bem, fode bem ou apenas te escuta bem. Mas é só isso, peixes? Esse exemplos toscos resumem o ato de amar alguém?

Sinceramente, não sei!

O amor cristão prega a igualdade e amor único e verdadeiro a todos. Mas é possível amar assim? A teoria leva a perfeição. Amar, na prática é nos tornarmos exclusivos de um alguém e tornar esse alguém exclusivo nosso. Amando-o e respeitando-o e mantendo-o sempre ao nosso lado. Deves aceitar ao teu amor com a dedicação de um faminto. Isso é amar na prática. É esse o amor cristão. A base da idéia monogâmica. A base de um egoísmo indiferente e medroso, enraizado numa verdade sacra e milenar.

Não estou aqui para julgar, peixes, o que é certo e o que é errado. Estou aqui apenas para comentar.

Em contra partida, é impossível ser exclusivo de alguém. Ser exclusivo de alguém é morrer sufocado dentro de um cotidiano de clichês repetidos, algo parecido com um conto pulp barato. A base de todo relacionamento, peixes, acima de todas as coisas, tem de ser a individualidade. O teu pensar, o teu vestir, a tua essência. Enfim, tu como pessoa única e indivizível, sendo mais que um, um pouco mais que dois e oxalá, com alguma sorte, três.

O amor incondicional não existe porque nenhum de nós, homens ou peixes, somos capazes disso. Ninguém se dedica a ninguém de corpo e alma. Nem mesmo Jesus foi capaz disso, apesar do marketing dizer o contrário.

Não é possível amar livre.

Não é possível amar desbloqueado.

Entendem o paradoxo?

Na verdade peixes, “amar” é um substantivo inconcreto. Uma hipocrisia verdadeira. O amor real não vem da dedicação extrema ou da individualidade. O amor real vem do equilíbrio entre os dois extremos.

Licença Creative Commons
A obra Feedback Letter for a Well Known Fish de Rodrigo Neves foi licenciada com uma Licença Creative Commons – Atribuição – Uso Não Comercial – Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

3 Respostas para “Feedback Letter for a Well Known Fish”

  1. marvin Diz:

    o amor de repente pode existir de várias formas,dependendo de quem ama e quem é amado…(só um pensamento)

    e eu te amo :-)

  2. Sammliz Samm Diz:

    eu gosto dos teus textos, fato.:) e sobre o amor… well… l’amour…. eu concordo com o teu arremate. amar é tão grande, indizível, inconcreto que seria impossível aprisionar o maior dos verbos em apenas um desses cantos. aliás, amor não se encurrala, isso aí é a tal paixão(tema para um próximo post?). amor é estar no o meio e por isso é tão difícil já que nós, humanos, andamos sempre meio bêbados, tropeçando, empurrando ou quando não enraizados.:) o louco de tudo é que parece que os grandes avatares estavam certos: nossa missão parece ser amar. ainda dá tempo?

  3. ‘amor’ é algo que varia de pessoa à pessoa. acho tocantemente imbecil quem tenta descrevê-lo ou sentenciá-lo de alguma forma.

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