Posted in Música with tags , , , , , , , on 01/06/2017 by The Dude

It was fifty years ago today
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Pira Paz

Posted in Crônicas on 29/05/2017 by The Dude

Tu és só um professor, por quê deveria te pagar mais?”

Fiquei em silêncio um momento, olhando o rosto do indivíduo e pensando em anos atrás, nos idos dos meus quatorze ou quinze anos, dentro de uma sala de aula, observando um par de professores e sua paixão pelo que faziam. Lembrei de como inspiravam, de como incitavam quem os assistia a ir além do que era permitido dentro de 50 minutos de aula. Lembrei de me ver sorrindo diante disso e pensar um sonoro “por que não?”. Lembrei de ser profundamente influenciado.

Então lembrei da faculdade, da má educação, do curso precário e corrido. O idealismo que não resiste à realidade. Do estágio torto em escolas que não davam ( dão ) a mínima condição a quem quer aprender ou ensinar. Lembrei de profissionais pouco interessados e mal remunerados em seus mundos de discórdia, inveja, descaso e desilusão. A frustração faz maravilhas quando bem cultivada.

Lembrei do diploma, do emprego que nunca veio, as portas na cara, a insistência no freelance, os calotes, o menosprezo e a pena nos olhares das pessoas pela profissão escolhida. Ser tratado como um mendigo cansa. Ser teimoso cansa.

Tu és só um professor, deveria te pagar mais por quê?”

Nunca uma frase foi tão definitiva.

E naquele momento, naquela fração de segundo entre a ação e a reação, pensei na real situação de profissionais como eu, empregados ou não, no país e me senti verdadeiramente como um mendigo. Há uma exponencial distância entre teoria e prática, entre vontade e vocação. Quis me tornar um educador pelo puro romantismo presente na ação. Não quero mais ser um educador pelo puro nojo presente na ação.

As experiências boas são menores que as experiências ruins ao longo destes sete ou oito anos formado. E ao contrário do que dizem, não são as memórias boas que ficam. Olhando para trás, posso, ao menos tirar algum amadurecimento de tudo isso… o que me força a pensar como algo positivo, mas não necessariamente bom.

Não dei a resposta que a pessoa merecia. Não tive força ou vontade. Não dei a resposta porque, de um certo modo, há uma profunda verdade embutida na pergunta dele. E ainda tenho um pouco de dignidade em mim. Então agradeci, me levantei e com um aperto de mãos me despedi da pessoa e do romantismo.

Não sei se sonhos se esgotam mas boa vontade, paciência e romantismo, sim. Agora aceito, tranquilo, que não vou ter conforto e paz com a profissão que eu escolhi.

A liberdade, muitas vezes, é uma nau à deriva.

Portanto hoje, a partir de hoje, volto a procurar outros caminhos, outras palavras que não definam. Quero ler, quero escrever, quero criar de forma livre. Quero ser leve e tirar o peso que eu carrego em mim de cima dos outros. Não quero ser justo. Quero ser eu.

Pira paz, não quero mais.

Licença Creative Commons
O trabalho Pira Paz de Rodrigo Porto Neves está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

1, 2, 3… Testando.

Posted in Crônicas on 25/05/2017 by The Dude

Um dia desses me sentei em uma mesa da praça de alimentação de um shopping munido de um copo de suco, um caderno, meu celular e a internet roubada de um ponto qualquer. A ideia era reunir pensamentos, juntar ideias e criar algo através da observação das pessoas ao redor.
Após um bom tempo desperdiçando começos e recomeços, me dei conta de que jamais conseguiria criar em um lugar assim porque não vejo esse como um lugar de criação. Lugares públicos me são lugares de diversão e distração. Não de criação.
Me dei conta também de que hoje faço tudo no celular. Da verificação de e-mails à movimentações bancárias até a criação de um texto qualquer. O caderno à minha frente nunca pareceu tão antiquado. Me vi pensando na preguiça que toma conta de mim na fazedura das pequenas coisas.
Eu gosto do papel na minha mão, de sentir a textura, a caneta deslizando sobre ele e marcando a minha horrorosa letra. Sempre ando com um caderno na mochila. Um hábito de outros tempos que vez ou outra ainda se mostra útil.
Olhei para o lado e vi várias pessoas aleatórias imersas em seus celulares, suas telas piscando e seus dedos correndo furiosamente em suas telas. E me perguntei quantas delas ainda usam papel, ainda sabem o peso de uma caneta ou a melhor forma de caligrafia. Poucos, nenhum?
Não sou melhor do que eles com seus olhares apertados e testas enrugadas.
Clicando, digitando e digitalizando a comunicação.
Mas por outro lado, não cabe julgamentos aí. Essas pessoas deveriam estar fazendo que sempre se faz hoje: editando fotos, ouvindo música, criando intrigas em alguma rede social ou simplesmente conversando com os amigos ( vamos ignorar os grupos juntos com as caras nos celulares, ok? )
A realidade é que hoje em dia tu podes fazer qualquer coisa em um celular que são praticamente as mesmas coisas, senão melhores coisas, que poderias fazer com uma caneta e um pedaço de papel.
Não vou dizer que o celular matou o papel. Acho que seria ir muito longe. A digitalização não altera a paisagem física.

Enfim…
A verdade é que há tempos não escrevo num caderno. Há tempos não escrevo nada. Nem sei se ainda sei como fazer. Vejo a ação de escrever como um músculo que precisa sempre ser exercitado para não atrofiar. Não tenho certeza o quão atrofiado estou. Então esse texto é uma medida, uma saída de um momento de parada. Uma tentativa de despertar uma lembrança muscular.

Licença Creative Commons
O trabalho 1, 2, 3… Testando de Rodrigo Porto neves está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional

730 dias… pouco mais ou menos

Posted in Sem Categoria on 25/04/2016 by The Dude

os setecentos e trinta dias de hiato fazem TODA diferença na tentativa de se reescrever…

… ou não.

Por que somos Chapa 2?

Posted in Humanitário on 14/04/2014 by The Dude

Esclarecemos no texto abaixo os motivos que levaram os grevistas do Diário do Pará e Diário On Line a compor e apoiar a Chapa 2 – “Mudança Já! Sindicato é pra Lutar” na eleição 2014 no Sindicato do Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-PA).

De todo modo, reforçamos o nosso total respeito a opinião e escolha dos colegas da categoria.

>> Por que somos Chapa 2? <<

Os reflexos da Greve do Diário do Pará e DOL nos acompanham e nos guiam na construção de uma categoria forte e combativa, disposta a nunca mais se submeter aos desmandos e imposições arbitrárias dos patrões, que renegam direitos, descumprem deveres e debocham de movimentos legítimos.

A greve parou a engrenagem da opressão. Mas, acima de tudo, revigorou um sentimento: defender uma causa justa jamais seria (e jamais será) uma batalha vã. A Justiça comprova que estamos do lado certo, do lado ético da história. E por acreditar na nobreza de nossa causa, não desistimos em momento algum de nossa escolha. Não grevamos por capricho ou porque fomos convencidos por terceiros. Cruzamos os braços porque foi absolutamente necessário. Não nos restou saída quando a empresa fechou as portas do diálogo.

Nos bastidores sofremos com a conhecida inoperância da gestão do Sindicato dos Jornalistas do Estado Pará. A atual diretoria, que brada ser autora do movimento paredista, legitimou, sim, a greve, como frente que deve tomar uma entidade sindical. Porém pecou em inúmeros momentos, começando pelo cenário precedente, ilustrado pela total falta de fiscalização e diálogo com a categoria, aspectos estes que inquietaram um grupo de trabalhadores do Grupo RBA, o qual decidiu cobrar do sindicado alguma reação, que combatesse tantos absurdos trabalhistas praticados naquela empresa.

Outra falha extremamente sentida foi o silêncio diante de quatro diretores sindicais, que viraram as costas para a mobilização dos colegas jornalistas e simplesmente tomaram o lado dos patrões, em uma absurda inversão de valores. Até hoje a diretoria não fez qualquer pronunciamento público sobre a conduta desses “profissionais”, quando o correto, ao cumprir o estatuto da entidade, era submetê-los à Comissão de Ética e tirá-los dos cargos que ocupam. Além destas, houve outras falhas. Muitas. Que apenas o cerne do movimento poderia sentir. Houve situações em que foi preciso contornar erros cometidos pelos nossos representantes sindicais, sem que aquilo transparecesse à categoria, para que aquele momento de luta não perdesse força e união.

No pós-greve, a desatenção a muitos pontos importantes também incomodou. Embora tenha sido garantido o apoio jurídico aos 16 jornalistas até o momento demitidos, a gestão do sindicato não teve pulso firme e perspicácia para pressionar o cumprimento dos acordos assinados. Passaram-se dois meses até que os coletes à prova de balas chegassem, enfim, às mãos das equipes. Isto só ocorreu depois de insistentes apelos dos repórteres e até a recusa de muitos deles em ir para as ruas sem proteção laboral. O acordo que selou o fim da greve previa aquisição imediata do material. O mesmo se deu em relação às galochas e capas de chuva, que só vieram após longos seis meses. E mais: até hoje não se avançou na criação da comissão paritária, que discutiria a elaboração e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

SILÊNCIO QUE FERE

Durante anos trabalhamos sem carteira assinada, enquanto diretores sindicais empregados no Grupo RBA, responsáveis por fiscalizar nossas condições de trabalho, nada fizeram para transformar esse quadro. Estagiários superexplorados, falta de segurança, de água potável, assédio moral, longas jornadas de trabalho e um contracheque imoral ao final do mês.

Sim, diretores sindicais assistiram a esse festival de absurdos de camarote, no seio da família Barbalho. Problemas comuns a outras redações e que sempre vitimaram jornalistas no Pará. No entanto, a Greve do Diário do Pará e Diário Online foi a única grande mobilização da categoria desde 1987. O que houve? Onde esteve o sindicato? Por que permitiu tantas irregularidades se arrastando por todo esse tempo? A omissão também uma grave forma de violência.

Nós, do coletivo de jornalistas formado a partir de todo este panorama, passamos a entender que a greve foi apenas o começo de uma luta a ser travada em todas as empresas onde ainda há desrespeito aos direitos do jornalista, como trabalhador, como cidadão. Para tanto, precisamos caminhar ao lado de pessoas que não abram mão desses direitos, dispostas a defendê-los com coragem, com atitude. Com ação, e não palavras ao vento.

Queremos um sindicato mais atuante, mais presente, independente dos patrões, voltado exclusivamente aos interesses da categoria que representa. Precisamos de uma entidade capaz de impedir a perpetuação de problemas tão simples e ao mesmo tempo tão crônicos no mercado de trabalho paraense. Um Sinjor-PA de braços dados com o jornalista das redações, das assessorias de comunicação, do interior do estado, de todos os âmbitos.

Precisamos da garantia de uma entidade disposta a nos defender de fato; de um sindicato pronto para reivindicar nossos direitos, que vigie e fiscalize. É um esforço necessário para evitar novos extremos e as demissões em retaliação aos grevistas.

A direção do Sinjor-PA não fez a greve, como insiste em afirmar. Apoiar o trabalhador é dever do sindicato, que cumpriu sua obrigação de respeitar uma decisão tomada em assembleia geral.

Não vamos desmerecer a legitimidade sindical dada à mobilização. Seremos eternamente gratos por cada palavra de força, por cada abraço apertado, por cada voto de esperança e certeza de nossas conquistas, por cada gesto dedicado ao fortalecimento de uma luta que sim, é de todos nós. A discordância está na falta de pulso e empenho da direção que deveria nos representar. Contudo, não nos sentimos representados. E sabemos que muitos colegas também não se sentem.

A incompatibilidade não nos impediu de dialogar com a atual gestão sindical. Em todo esse processo, amadurecemos a ideia de que o Sinjor é da categoria, independente de quem o comanda. Aprendemos com setembro que a ação traz resultados.

Por todo o exposto, nos aliarmos ao coletivo de jornalistas ‘Luta, Fenaj!’, formado por pessoas que conhecemos e dialogamos durante o contexto da greve. Formamos a Chapa 2 com eles e demais profissionais com os mesmos objetivos.

Encontramos nesse grupo a representatividade que procurávamos, além de espaço para fortalecer e aprimorar nossos ideais. Oito participantes da greve integram a chapa, sem contar os que apoiam. Gente com ânimo, vontade, garra, desejo de mudança e que acredita na construção de um Sinjor-PA forte e combativo – como todo sindicato deveria ser. Construímos a Chapa 2, porque queremos mudança. A luta por direitos tem que ser presente. Tem que ser rotina. Para que o futuro mais justo e digno não seja só promessa.

Coletivo de Jornalistas em Luta

Dia de Luta II

Posted in Humanitário on 04/02/2014 by The Dude

Pelo direito à greve

Justiça do Trabalho julga demissões no grupo RBA, da família Barbalho. Sentença será proferida em nova audiência no dia 6 de março, na 5ª Vara do Trabalho de Belém

Ocorreu nesta segunda-feira, 3, na 5ª Vara do Trabalho de Belém, a audiência referente à ação de reintegração e indenização por danos morais dos jornalistas Amanda Aguiar, Felipe Melo, Cris Paiva e Adison Ferrera, demitidos pelo Grupo Rede Brasil Amazônia de Comunicação em função da greve. A ação foi ajuizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA). A primeira audiência ocorreu no dia 17 de dezembro de 2013, quando a assessoria jurídica do grupo apresentou um volume de documentos que levou a um ‘pedido de vista’ do processo, para que o material pudesse ser analisado.

Para Felipe Melo, a expectativa dos jornalistas demitidos é que a empresa seja punida por desrespeitar a legislação, visto que o direito de greve é assegurado aos trabalhadores. “Vamos continuar lutando por nossos direitos. Precisamos dar um basta nessa política de repressão corporativista e intimidadora nos setores de trabalho”, afirmou.

Participaram a secretária-geral do Sinjor, Enize Vidigal e o assessor jurídico do sindicato, André Serrão, que considerou muito positiva a audiência, presidida pela juíza Zuíla Lima Dutra. Ele reiterou que as demissões configuram retaliações e perseguição aos trabalhadores que participaram da greve organizada como parte da campanha Jornalista Vale Mais, lançada pelo Sinjor.

Uma nova audiência no dia 06 de março encerra o processo.

“Todas as partes e as testemunhas já prestaram seus depoimentos e os documentos também já foram juntados nos autos. O sindicato e a empresa têm de protocolar até a véspera da audiência as razões finais. Eles [prepostos e testemunhas do grupo RBA] confessaram diversas das situações que estão sendo discutidas no processo. Estamos otimistas”, concluiu Serrão.

DISPENSADOS NA RECEPÇÃO

O grupo RBA já demitiu oito jornalistas. O caso mais recente foi o da editora Yorranna Oliveira, dispensada na portaria da empresa no dia 8 de janeiro, quando chegava para cumprir mais um dia de trabalho. Como nas demissões anteriores, a jornalista foi submetida à assinatura dos documentos na recepção, em uma situação humilhante.

A empresa afirma que as demissões vêm ocorrendo em uma “sala anexa” à recepção do prédio. Quem já visitou a sede do grupo sabe que essa sala não existe. Vídeos gravados pelos trabalhadores no momento das demissões mostram que os grevistas são dispensados em plena portaria, geralmente em meio à troca de turnos. No dia 3 de janeiro, as jornalistas Edmê Gomes (Diário) e Daniele Brabo (DOL) foram demitidas da mesma forma constrangedora.

UM SETEMBRO HISTÓRICO

A greve dos jornalistas do Diário do Pará, Portal Diário Online e TV RBA, no final de setembro, durou uma semana. O acordo entre o Sinjor-PA e o Grupo RBA, que viabilizou o retorno ao trabalho, assegurou a elevação do piso salarial da categoria de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00 a partir do dia 1º de outubro e nova atualização para R$ 1.500,00 em abril de 2014. Assegurou, também, a estabilidade no emprego por 45 dias e o pagamento dos dias parados. Os grevistas também garantiram equipamentos de segurança, como coletes à prova de balas para equipes que cobrem a editoria de polícia e a distribuição de botas, capas e guarda-chuvas para todos os jornalistas da empresa. Até agora, só os coletes foram distribuídos.

*Com Ascom/Sinjor Pará

Dia de Luta I

Posted in Humanitário on 03/02/2014 by The Dude

Três de fevereiro: um dia de luta para os jornalistas

Rede Brasil Amazônia de Comunicação, grupo da família Barbalho, já demitiu oito profissionais que ajudaram a organizar greve histórica em setembro, no Pará. Justiça do Trabalho julgará demissões nesta segunda-feira

Será realizada nesta segunda-feira (03), às 8h20, a audiência que julgará a ação coletiva de reintegração e indenização por assédio moral movida pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) contra o Grupo RBA, de propriedade da família Barbalho. A audiência estava marcada para o dia 17 de dezembro de 2013. Na ocasião, a assessoria jurídica da empresa apresentou um volume de documentos que levou a um ‘pedido de vista’ do processo, adiando então a audiência para o próximo dia 3 – para que a juíza responsável pelo caso tivesse mais tempo de analisar todo o material.

Em novembro, os jornalistas Felipe Melo, Cristiane Paiva, Amanda Aguiar e Adison Ferrera foram dispensados sem aviso prévio e sem justa causa, em clara retaliação por terem participado ativamente da greve do Diário do Pará e Diário Online, realizada em setembro. A demissão dos quatro se deu imediatamente após o fim da estabilidade firmada no acordo coletivo que assinalou o fim do movimento paredista.

De lá pra cá, o grupo RBA já demitiu oito jornalistas. O caso mais recente foi o da editora Yorranna Oliveira, dispensada na portaria da empresa no dia 8 de janeiro, quando chegava para cumprir mais um dia de trabalho. Como nas demissões anteriores, a jornalista foi submetida à assinatura dos documentos no balcão de recepção, em uma situação humilhante. Uma semana antes, no dia 3, as jornalistas Edmê Gomes (Diário) e Daniele Brabo (DOL) foram demitidas da mesma forma constrangedora.

Minimizando o caso, em entrevista ao Portal Imprensa, o diretor-geral do grupo afirmou que as demissões constituem uma decisão meramente administrativa e negou que tenham sido motivadas pelo sentimento de vingança. Camilo Centeno disse que estas são acusações “totalmente infundadas”. “O grupo tem mais de 800 pessoas, estamos falando de quatro demissões. O número é absurdamente ridículo, é mínimo. É uma rotina, a empresa faz os ajustes conforme a necessidade dela. São ex-funcionários que por algum motivo não interessavam mais à gerência, não entendo essa ideia de retaliação”, disse.

PERSEGUIÇÃO

A perseguição no grupo RBA começou muito antes das demissões dos jornalistas. Tão logo a greve foi anunciada, no dia 16 de setembro, o jornalista Leonardo Fernandes foi ilegalmente dispensado. O retorno dos grevistas ao trabalho foi marcado por mais retaliações. Todos os que aderiram ao movimento foram remanejados para outros turnos e editorias, em uma generalizada dança das cadeiras. Repórteres foram impedidos de assinar os próprios textos, ainda que eles rendessem manchetes de página ou de capa.

Demissões após uma greve não são naturais. A greve é um direito amparado pela Constituição Federal. A ação coletiva ajuizada contra a RBA pede a reintegração dos trabalhadores demitidos e indenização por danos morais.

SOBRE A GREVE

A greve dos jornalistas do Diário do Pará, Portal Diário Online e TV RBA, no final de setembro, durou uma semana. O acordo entre o Sinjor-PA e o Grupo RBA, que viabilizou o retorno ao trabalho, assegurou a elevação do piso salarial da categoria de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00 a partir do dia 1º de outubro e nova atualização para R$ 1.500,00 em abril de 2014. Assegurou, também, a estabilidade no emprego por 45 dias e o pagamento dos dias parados. Os grevistas também garantiram equipamentos de segurança, como coletes à prova de balas, para equipes que cobrem a editoria de polícia e distribuição de botas, capas e guarda-chuvas para todos os jornalistas da empresa.

DIA DE LUTA

A audiência na ação coletiva ajuizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará contra a Rede Brasil Amazônia de Comunicação ocorre nesta segunda-feira 3 de fevereiro, às 8h20, na 5ª Vara do Trabalho de Belém (travessa Dom Pedro I, 750, bairro do Umarizal – em frente à praça Brasil). Será um DIA DE LUTA. Use branco nas redações, assessorias de imprensa e faculdades de comunicação. Demonstre seu apoio à luta dos jornalistas que estão sendo demitidos do Grupo RBA de forma mesquinha e arbitrária. Quem puder, também está convidado a aparecer por lá. Os jornalistas estarão reunidos a partir das 8h. Diga não ao assédio moral e manifeste sua repulsa a todas as formas de retaliação, desrespeito e desvalorização dos jornalistas paraenses. Compartilhe essa ideia.